domingo, 20 de julho de 2014
CASA DA VOVÓ
quarta-feira, 14 de maio de 2014
A PULGA
terça-feira, 18 de março de 2014
BARCO DE PAPEL
domingo, 17 de novembro de 2013
BRINQUEDO DE BURITI
Lembrar feliz a infância
Dos tempos bons de criança
Do verde esmeralda a esperança
Da folha do buriti
Que seca ao sol e se transforma
Em canoa de tucuxi...
Boto branco
Boto preto
Barco a vela a sair
Cores vivas saltitantes
Como velas esvoaçantes
Da canoa de buriti
Rio que corre para o norte
Ou rio que vai para o sul
Não leva a palmeira embora
Pois tenho ela em boa hora
Do corte que forma dá
Vira canoa de açaí
Ou cobra do rio Pará
Nas mãos do cabloco que embala
A imaginação pelo ar
Vai dando forma ao talo
Fazendo bichos diversos
Objetos ao reverso
Do jeito que lhe aprover
Nesta imaginação
Cria o cabloco, tão grande aptidão
Com gosto constrói o mundo
Para ele é diversão
Recriando a natureza
Com muita satisfação
Vai montando a sua corte
Sua floresta divina
O mar de azul turqueza
Bravio que é uma beleza
Com peixes, algas e corais
Disso eu tenho certeza.
No cenário da floresta
Faz o cabloco um coco
Traça um rabisco comum
Cuidado correu um tatu
Do rio que corre sai uma cobra
Da floresta um teju
Jacaré para o cabloco
Não vive apenas no lodo
Sai da folha do miriti
Mas todos podem chamar
Jacaré de buriti
IVONE MAUES
sábado, 7 de setembro de 2013
A Lenda do Toco
No rio Paracauary
Uma história intrigante
Que de medo nos faz rir
De um toco tão valente
Que vem do lago Arari.
Este toco minha gente
É uma tora teimosa
Que entra e sai do rio
Balançando todo prosa
Indo contra a maré
Não respeitou nem seu Rosa.
Seu Rosa um grande vaqueiro
Dos campos verdes e secos
Tomba boi no matagal
Amarrando no arreio
Não tem pena de garrote
Pois vive do pastoreio.
Certo dia em sua canoa
Quando a maré era vazante
Viu um toco que passava
As beiradas do barranco
Com uma laçada só
Deu uma amarrada certante.
Quis puxar o tronco forte
Com sua força brutal
Amarrando na canoa
Bem no meio do canal
Como o toco era valente
Afundou a pequena nau.
Por sorte o homem escapou
Foi salvo por seus amigos
Teve febre alucinação
Gritava com dor no umbigo
Dizia a todos que o ouviam
O toco tem parte com inimigo.
Foram chamar o pajé
Para seu Rosa benzer
Trouxeram cachaça e ervas
Para a cura proceder
Invocando os caboclos
Para o vaqueiro reviver.
O pajé com sua reza
Fez seu Rosa levantar
Deu-lhe banho de urtiga
Pião e mucura caá
Tirou o vaqueiro da cova
Mandou ele passear.
Outros fatos sucederam
A quem quis o toco pegar
Uns morreram outros piraram
Mas não conseguiram domar
O ser estranho e misterioso
Das beiras do quebra mar.
Até hoje no inverno
Outras vezes no verão
O toco passa faceiro
Segue em frente sua missão
Navegando contra as águas
Dessa ilha em imensidão.
Não tomem banho no rio
Quando o toco passar
Ele é um encantado
Que veio pra mundiar
Quem acha que ele é pau
E tenta o bicho laçar
Saibam todos minha gente
Que o toco é morto não
É um caboclo arretado
Dos lençóis do Maranhão
Que teve como castigo
Navegar em nossa região
Por isso como revanche
Desta sua obrigação
Quando a vem a nossa Soure
Sempre afunda uma embarcação
Seja festa de Santo Antonio
São Pedro ou São João.
Esta é mais uma história
Dos campos do Marajó
Que traduz o nosso povo
Do cabloco ao major
Contada por nossos mestres
E também por nossos avós.
Ivone Maués
domingo, 11 de novembro de 2012
Livro: Uma Viagem a Aldeia dos Mundis

quinta-feira, 28 de junho de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
EXPOSIÇÃO ASSARÉ E MESTRE TOMÁZ:ENCONTRO DE SABERES
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
PROJETO ASSARÉ E MESTRE TOMÁZ: ENCONTRO DE SABERES
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Contando o Imaginario de Soure.
domingo, 10 de abril de 2011
Contação de História e Escrita Criativa - Buriti Bravo - MA
sábado, 27 de novembro de 2010
Nira e Mururé
Diz a lenda, que eram dois jovens índios de tribos inimigas que se apaixonaram perdidamente. Ela uma índia Mundi, e ele um índio Aruã. Os aruãs famosos pela arte da guerra e do enfrentamento de resistência dos colonizadores e os Mundis conhecidos por serem pacíficos. O chefe da tribo aruã jamais permitiu que seu sucessor na hierarquia indigena, o índio MURURÉ casase-se com uma índia que não fosse guereira, a linda e terna NIRA. E assim foi decretada a guerra. Mururé longe de sua amada chorou dias e noites a solidão de sua ausência e Nira concolava-se embalada pelos raios da lua a sonhar em eternizar seu grande amor. Então ajudados pelo canto do uirapuru, que levava em seu canto a saudade dos dois índios apaixonados, Mururé e Nira então guiados pelo canto da ave encantada seguiram em direção um do outro para a floresta de mangue hoje conhecida como manguezal do goiabal, alimentaram-se da semente do tento e abraçados eternizaram sua paixão, morreram por amor, sabendo que suas vidas iriam salvar outros tantos amores. No lugar onde morreram nasceu duas lindas arvores abraçadas. Quem for passear na Fazenda São Jerônimo irá encontrar NIRA e MÚRURÉ de mãos dadas eternizando o amor. Diz a lenda que quem sentar em seus braços junto com seu amor, jamais se separará, porque eles ajudarão o amor ser eterno. quarta-feira, 23 de junho de 2010
BARQUINHO DE PAPEL
Depois de uma breve ausencia, estou de volta, agora para dividir com meus seguidores mais uma conquista Marajoara. Nasceu o Barquinho de Papel, foram muitas dobraduras para atingir essa meta, enfim conseguimos. Agradeço a todos que acreditaram que era possivel, a Editora CPOEMA e sua diretoria e demais colaboradores. Barquinho de Papel é um sonho de uma professorinha que acredita que é possivel um mundo melhor. Junto com seus pequeninos do Jardim da Infância em 2008 , rabiscou textos de vivencia do dia da Sala de Aula, do em torno da escola e de muitas percepções do movimento da vida. Com os alunos da Instituição Caruanas do Marajó eu aprendir a humanidade do ser, tão pequenos mas me ensinaram que ensinar exige de nós primeiro aprender, e , aprendemos nesta relação. Não fui apenas a professora do Jardim III, mas fui aluna dessa etapa da infancia tão linda. Aos pequeno com quem convivi no Jardim III em 2008 na Instituição Caruanas do Marajó. Obrigado por me ensinrem os segredos de viver aqui neste universo.terça-feira, 9 de março de 2010
SOURE EM MEMÓRIA


segunda-feira, 8 de março de 2010
PROSA EM RIMA

Sonhos Rosa
Em cima da mesa
Como bailarina
Uma boneca de menina
Sonhos rosa, sonhos anis
Olhando o tempo
Não tem pressa
Pois sabe que como boneca
Não envelhece
Apenas a menina
Sua companheira cresce
A menina cresce
O tempo a envelhece
E sem perceber adormece
No seu lugar outra menina cresce
Sonhos rosa, sonhos anis
Confidente a boneca se envaidece
Por saber que um dia
Sua amiguinha não fará mais a prece
Somente ela eterna será
Boneca não envelhece!
Soure Mulher
O inverno chegou!
Embora traga consigo a melancolia de um tempo mórbido sem o brilho do sol me faz bem!
Na Ilha é tempo de bonança, de muitas frutas, peixes, mariscos que enchem a mesa do homem ribeirinho.... A grama das ruas está verdinha e viçosa e as mangueiras com suas copas a balançar no ritmo do vento, que ora é como brisa suave, hora é como uma tormenta indomável.
As ruas molhadas encharcam meus pés que sem pressa rumam sem direção. Para onde vou? Vem a pergunta em meio a tantos rostos de mulheres que por mim passam e me olham com um brilho nos olhos, de esperança, da índia que em meio à evolução da civilização grita por elas, ou da negra que livre das algemas de seu senhoril luta para que estas mesmas mulheres um dia possam liberta-se da caverna e ver que mesmo no inverno há luz.
Eu, india, negra, branca.... sou mulher e parideira...
Porque todos os anos, vejo com lagrimas nos olhos meus filhos partir, são meus, porque do meu ventre, nasceram os ventres que os conceberam dando-lhes vida.
Mas a utopia de ascender socialmente, arranca de minhas entranhas meu próprio ser. Resta-me a dor de ser mãe parideira que ao conceber mais um ente, tem a certeza que será mais um a migrar.
O titulo que recebo de Soure mulher, retrata minha condição reprodutora de tantos que partiram e não mais voltaram. Uns dão glórias as mães que os adotaram, os acolheram. Outros tornam-se miseráveis porque encontram braços que os empurram ao declínio da disputa cruel em ocupar espaços. Adoção não significa acolher é o que pensa esta Soure mulher.
A acolhida abre os braços para receber, aninhar e dar abrigo ao viajante cansado que pede pouso, alimento e água para saciar a sua sede, elementos esses essenciais a vida. Mas quem necessita deles, precisa ser provido de vida digna. E nem sempre quem adota está receptiva para a acolhida.
Eu mãe parideira espero meus filhos, olho o horizonte na esperança de encontra um dia um sinal que me faça sorrir.
Quero com as índias mundi, com as negras da áfrica e com as tantas brancas que nos proveram dessa motriz étnica, um dia feliz e sorrir.
Ser mãe sim, parideira não. Não suportarei por mais tempo exportar tantos filhos dos ventres que nos ventres gerei. Essa é minha esperança de não ser a parideira que põe filho no mundo para dar a outrem. Quero acolher a todos que em meu ventre cresce e de mim nasce..... Chorar sim, a felicidade de tê-los perto de mim.
Ivone Maués
Índia Mundi



